No anno de 1504. fez os Portugueses de prata de valor de 400. reis cada hum com os mesmos letreiros, e cunhos, que os Portugueses de ouro: e destes mandou fazer meyos, e quartos, que saõ os Tostoens com o mesmo escudo, e letreiro, que os Portugueses douro. Chamaraõ-se Tostoens à imitaçaõ doutra semelhante moeda de França, a qual por ter por divisa huma cabeça, que os Franceses chamaõ Teste, se lhe deu o nome de Testaõ, e corruptamente Tostaõ.
Depois no anno 1517. fez meyos Tostoens, que de huma parte tem os cinco escudos das Quinas sem Castellos, e da outra huma Cruz, e de ambas as bandas diz o letreiro: Primus Emmanuel R.P. & A. D. G. Manoel primeiro Rey de Portugal, e Algarve, Senhor de Guinè.
Continuou os Cruzados do mesmo peso, e ley delRey D. Afonso V. e delRey D. Joaõ II. e nos vintens, e seitijs.
Fez Reaes de cobre de seis seitijs cada Real, que de huma parte tinhaõ hum R. debaixo de huma Coroa, e da outra o escudo das armas do Reyno com estas letras: Emmanuel Rex Portugaliæ, & A. Dominus Guinè.
Teve ElRey D. Manoel por empresa a Esphera, que vulgarmente se chamava entaõ Espera, e lha deu ElRey D. Joaõ II. como em pronostico da Coroa. Pelo que depois de ser Rey, mandou lavrar huma moeda de ouro, que de huma parte tem esculpida huma Esphera, e da outra huma Coroa com huma letra, que diz: Mea; com que parece quiz denotar, que a Esphera que ElRey D. Joaõ lhe dera por empresa, alcançou elle por obra, descobrindo, e conquistando a India, e o Brasil, de maneira, que ficaraõ sendo sua Coroa as quatro partes do mundo, que comprehende a Esphera. Pelo que alludindo a este Senhorio, usando da palavra Mea, segundo parece, por ser de S. Paulo, que chama aos Philippenses, a quem converteo: Gaudium meum, & Corona mea: meu contentamento; e noutra parte 1. aos Philippenses 2. Quæ enim est nostra spes, aut Gaudium, aut Corona gloriæ, nonne vos, &c. Donde parece que quiz dizer, que a sua gloria, e coroa, foy o novo descobrimento, e conversaõ do mundo. Na India depois de tomada Goa, mandou o Governador Afonso de Albuquerque fazer algumas moedas com o nome delRey D. Manoel, assim de ouro, como de prata, e cobre, às quaes poz o nome Espheras; que de huma tinhaõ a Cruz da Ordem de Christo, e da outra a Esphera, que era empresa delRey, como jà dissemos; pesava a Esphera de prata dous vintens, e outra ametade, a que chamavaõ Mea Esphera, nesta conformidade.
As moedas de cobre poz nome Leaes, e outras Dinheiros, tres dos quaes valiaõ hum Leal; e de ouro mandou lavrar Cruzados, como se vè nos Comentarios de Afonso de Albuquerque p. 2 cap. 26.
§. XXXII.
Das Moedas delRey D. Joaõ III.
Posto que na Chronica delRey D. Joaõ III. se naõ faz mençaõ mais, que das moedas de cobre, que elle mandou lavrar, com tudo consta de outras muitas, que fez bater de todos os metaes, e particularmente a moeda de ouro chamada S. Vicente, que era de peso de 1U000. reis, e de huma parte tem a figura de S. Vicente com huma nào na maõ esquerda, e huma palma na direita com letras à roda: Zelator usque ad mortem; e he Zelador da Fè atè a morte; e da outra o escudo Real coroado com as letras: Joannes Tertius Rex Portu. & Al. Desta moeda se lavrou outra de ametade da sua valia, e com as mesmas insignias, que por isso lhe chamaõ Meyos S. Vicentes, como se vè da seguinte.