[[21]] No manuscripto ha evidentemente uma lacuna; a traducção da passagem correspondente do texto geez é: «E um dia Fremenatos disse a Embaram: Ó meu senhor, eu na verdade admiro os vossos usos da gente de Ethiopia; a circumcisão e a crença de Christo existe entre vós; mas o baptismo e o receber da communhão não existem. E Embaram disse a Fremenatos: A circumcisão na verdade trouxeram os Levitas, nossos paes, e a crença trouxe o eunucho da rainha Hendake; e para dar o baptismo e ministrar a communhão não nos foi enviado apostolo. Mas eia, vae tu ao arcebispo, e recebe d'elle a ordenação para seres nosso apostolo.» (Gadla Takla Haymanot, cap. IV; ms. aeth. c. 3 da Bibliotheca Bodleiana, fol. 3, v).

[[22]] Em geez este nome é escripto Motalame. Dillmann (Chrestomathia aethiopica, p. 177) conjectura que este nome é derivado do verbo arabico lama (brilhar); Basset (Études sur l'histoire d'Éthiopie, p. 231) o compara com a palavra arabica musalama (dada, concedida); Conti Rossini (Il Gadla Takla Haymanot, p. 32, nota 3) julga que o mesmo nome é uma palavra cuxita. Em um hymno em honra do rei Amda Seyon (Guidi, Le canzioni geex-amariña, VIII. v. 27) um principe de Damot, inimigo d'aquelle rei, tem o nome de Mot lami. Em galla a palavra moti significa rei (Cecchi, Da Zeila alle frontiere del Caffa, t. III, p. 229), mas esta palavra é provavelmente de origem cuxita, tomada de uma das linguas falladas nas regiões situadas ao sul de Ethiopia. A palavra Motalame é talvez por Mot Alame, e Alame por Alamale (Historia das guerras de Amda Seyon, ed. Perruchon, p. 10, l. 16), e esta é o nome de um antigo reino situado ao sul de Xava, a oeste de Vaj, e a leste de Hadya. (Conti Rossini, Catalogo dei nomi propri di luogo dell'Etiopia, p. 14). Assim Motalame, que o escriptor abexim tomou por um nome proprio, significaria simplesmente rei de Alamale.

[[23]] «Muitos dos [Religiosos de Ethiopia] que professam vida eremitica, vestem pelles escodadas tingidas de amarello, ou pannos da mesma cor.» (Tellez, Historia geral de Ethiopia a alta, liv. I, cap. XXXIV).

O monachismo christão de Ethiopia foi, segundo é tradicção, propagado do Egypto; comtudo em algumas peças de vestuario não póde deixar de se reconhecer a influencia hindu.

O habito dos monges hindus compõe-se de tres peças de vestuario, que são simples pedaços de tecido de algodão tingidos de amarello.

[[24]] No manuscripto falta o numero, que segundo o texto geez era de quarenta e cinco centos de centos (450000). (Gadla Takla Haymanot, cap. LXIII).

[[25]] «Aschema he como Escapulario; e parece que aquelles primeyros Monges [os nove Santos], como eram Gregos, lhe chamaram Asquema por ser tamquam schema Monachismi, que he a divisa de Monge. Porque quasi todos os Monges de Ethiopia andam vestidos, como cada um pode, e lhe parece; mas em trazendo aquelle escapulario, que he feyto de correyas brandas, e bem curtidas, sam avidos por Macarios, e Pachomios.» (Tellez, Historia geral de Ethiopia a alta, liv. I, cap. XXXIII). «Asquema he huma transinha de tres tiras de couro ordinario, e vermelho, as quays lançadas ao pescoço se rematam em huma argolinha de ferro, ou cobre, que trazem em huma correya, com que se cingem.» (Tellez, op. cit., liv. I, cap. XXXIV).

A palavra askema, em syriaco askema, em arabe askim, do grego schema, designa em particular a estola angelica, que segundo é tradicção um anjo deu a S. Antam, principe dos monges do Egypto, e que por elle foi deixada a seu successor, como superior do seu mosteiro, em signal da sua dignidade. (Dillmann, Lexicon linguae Aethiopicae, c. 752; Brun, Dictionarium Syriaco-Latinum, p. 25; Vansleb, Histoire l'église d'Alexandrie, p. 42). Esta estola, que em copto tem o nome de marchnoh, foi depois usada por todos os monges da ordem de S. Antam, e por ella se distinguiam dos outros monges. (Peyron, Lexicon linguae Copticae, p. 104). Mas segundo o testemunho de Maqrizi (Khitat, t. II, p. 508) e do Padre Sicard (Nouveaux memoires des Missions dans le Levant, t. V, p. 150) a estola angelica ou askim tinha forma muito differente do askema usado pelos monges Abexins. (Evetts, The Churches and Monasteries of Egypt, attributed to Abu Salih, p. 164, nota 1).

A forma do askema usado pelos monges de Ethiopia é muito semelhante ao cordão usado pelos Brahmanes. «A todos aquelles [tres] espiritos regentes do mundo [os Brámenes] fazem como filhos da primeira causa [filhos de Deus], e participantes da sua divindade, e per honra, e culto supersticioso dos tres, que dissemos, traz cada Brámene hum tiracollo de tres fios atados, e rematados em hum só nó.» (Lucena, Historia da vida do Padre S. Francisco de Xavier, liv. II, cap. XI)