Emquanto em torno d'ella, Ao norte, ao leste, ao sul, Refulge tanta estrella Pela amplidão do azul,

Tu vêl-a solitaria, Em paz cruzando o céo, Como urna funeraria D'um mundo que morreu!.

Ali já não ha vida!... Ali não ha calor!... N'aquella luz, vertida Em lagrimas de dôr,

Ha só tristeza e lucto, E confrange-se e doe O coração, se escuto Mulher, porque isso foi!...

Ah, tenho medo Que o Supremo Juiz Nos julgue assim tão cedo!... Não sei que voz m'o diz...

Não sei... mas, se contemplo Os crimes que ahi vão, Mulher, aquelle exemplo Conturba o coração!...

E assim só n'outra parte Verão os olhos meus Os sonhos que reparte Commigo a mão de Deus!...

O mundo onde abre o cardo E o lyrio ao mesmo sol; Onde ama o leopardo A par do rouxinol;

Que tem de andar na sombra Para viver na luz; E, o que inda mais m'assombra, Onde ha Nero e Jesus:

Por mais bello e risonho Que seja, ainda assim Não vale qualquer sonho, Que trago dentro em mim!...