Sahi um dia a contemplar o mundo, Por vêr quanto ha de bello e quanto brilha Na multipla e gloriosa maravilha, Que anda suspensa em o azul profundo!

Vi montes, vales, arvores e flôres, Limpidas aguas, múrmuras torrentes, Do grande mar as musicas plangentes, Dos céus sem fim os trémulos fulgôres!

Trouxe os olhos tão ricos de belleza, O coração tão cheio de harmonia, De quanto havia em terra, mar e céos,

Que interpretando a sós a Natureza: Dentro de mim esplendido fulgia, N'um circulo de luz, teu nome, oh Deus!

II

MUNDO INTERIOR

Materia ou Força, Lei ou Divindade Quem quer que seja que dirige o mundo, Esparze em tudo o espirito fecundo Do Summo Bem--Belleza, Amôr, Verdade.

Á luz d'esta Santissima Trindade, Cercado d'esplendor, clamo e jucundo, Sorri-me em volta o universo; ao fundo, Por synthese Suprema, a Humanidade!

Dos homens rujam temporaes medonhos... Que em mim, no meu labôr, do Bem sedento, Meus dias correm limpidos, risonhos!

Estrellas que brilhaes no firmamento! É menos bella a vossa luz que os sonhos Que gera na minha alma o Pensamento!