Pode até dizer-se que os mais celebres capitães, Alexandre, Julio Cesar e Napoleão, sem o pensarem e sem o quererem, se tornaram os mais poderosos semeadores d'este Ideal da Justiça Moderna![1]
Até ás proprias forças da Natureza, no uso que o homem d'ellas está fazendo abrindo canaes, levantando pontes, estendendo em todas as direcções dos quatro pontos cardeaes do globo uma rede infinita de telegraphos e d'estradas, até ellas estão conspirando para o triumpho do novo direito!...
A sua acção omnipotente, embora indirecta, accusa-se todos os dias na vida intestina dos povos, nos seus interesses os mais materiaes; na organisação das poderosas companhias transantlanticas, a vapor; na celebração dos tratados de commercio entre todos os povos do globo; na publicação de revistas scientificas; na realisação de conferencias e de exposições internacionaes, onde em tudo prodomina o espirito cosmopolita e universal dos tempos modernos!
É um levantamento das almas a que é preciso levar um Ideal espiritualista, um objectivo religioso, um culto emfim para que se apposse das multidões e se converta nos preceitos d'uma moral pratica, no Labaro d'uma religião universal.
Por elle um povo illustre derramou já o mais generoso do seu sangue afim de conquistar para o mundo dos factos, com o proprio sacrificio, a formula juridica d'este novo Direito; e, a despeito da guerra desapiedada dos representantes do velho regimen, a sua doutrina penetrou em breve no espirito de todos os codigos!
Se estas conquistas extraordinarias, chamar-lhes-hemos assombrosas, de Civilisação Moderna se alcançaram sem o concurso das religiões positivas, que lhes foram adversas, sem o proposito dos imperantes e dos politicos, poder-se-ha calcular: que transformação profunda e rapida nos destinos do universo se não vae operar, quando aquella Mãe que preside á sorte dos povos, e que tem estado até hoje degredada nas regiões abstractas do pensamento, tomando uma forma visivel e humana, se constituir na soberana por excellencia, na protectora dos fracos, na redemptora dos opprimidos, na consoladora dos que choram, na fé e esperança dos que sonham, na mensageira em fim do Creador que, tanto quanto é permittido ás forças humanas, converterá em realidades as promessas de Jesus no sermão divino da Montanha!
É prevendo o culto que mais tarde as mulheres, os sabios e os justos lhe hão de prestar, que esboçamos este cantico religioso.
Para que esta aspiração se converta na religião do Futuro basta que a Mãe de Jesus, esta creação poetica e encantadora do symbolismo catholico, avocando a si a realidade da historia, e entrando nos usos e costumes dos povos: synthetise o espirito de novos tempos e se torne a fiel depositaria do pensamento do Creador na Terra, a mensageira da Verdade, a distribuidora da Justiça e do Amor, a Virgem Mãe dos Povos.
Então todas as antiphonas e canticos que a Egreja hoje faz entoar em honra da Mãe de Jesus, serão poucos para a glorificarmos!...
[1] Laurent nos seus estudos sobre a Historia da Humanidade demonstra á saciedade quanto estes e outros heroes foram meros instrumentos d'uma causa superior, a vontade de Deus, em tudo o que fizeram.