As primeiras caravelas, construidas e equipadas pelo infante em 1431, começam a perscrutar o mar vasto e, um dia, de uma dellas, Gonçalo Velho Cabral descobre as Formigas. Um anno depois, em 1432, descobre ainda Santa Maria. As expedições maritimas portuguezas, desde então, succedem-se ininterruptamente e, annos depois, é descoberta grande parte das ilhas do archipelago dos Açores pelo mesmo Gonçalo Velho e depois as do Cabo Verde (1460) por Antonio Gomes e Diogo de Nola.
Em 1435, já o mappa-mundi de Bechario representa a Antilia e outras ilhas, a oéste dos Açores, acompanhadas da seguinte legenda:—Insule de novo reperte (ilhas recentemente descobertas.)
Em 1436, um anno após, apparecem o mappa-mundi de André Bianco e o seu portulano cujas cartas já representam o mar de Baga, o mar dos Sargaços, as Antilhas e o Brazil, figurando este como se fosse uma grande ilha. Em 1447, uma nau parte do Porto e descobre a Groelandia aonde os marinheiros desembarcaram.
No entretanto, do celebre promontorio de Sagres, o infante d. Henrique vê sumirem-se no mar intermino as caravelas, que successivamente iam partindo á descoberta, e já em 1448, numa carta do portulano de André Bianco, tratando dos descobrimentos dos portuguezes, se regista o Brazil de uma forma precisa, na parte oéste e sul do Cabo de S. Roque, ao sul das ilhas do Fogo e Brava de Cabo Verde, na sua verdadeira posição, em frente á costa africana, sendo designado por ilha authentica e assignalada a sua distancia exacta de 1500 milhas do archipelago de Cabo Verde.
Esta carta do portulano de Bianco, bem como os anteriores de 1436 mostram, pois, meus senhores, que o Brazil foi descoberto em 1435, ou antes, por navegantes portuguezes e que até das Antilhas já havia noticia nessa época.
Mas, não fica nisto. As caravelas portuguezas continuam a singrar o mar tenebroso e, em 1452, Diogo de Teive e seu filho João de Teive descobrem as ilhas Corvo e das Flores e chegam á latitude da terra que se chamou mais tarde «do Lavrador» (porque a descobriu um portuguez deste nome) não desembarcando nella com receio do inverno.
Em 1460 morre o infante d. Henrique, deixando reconhecida toda a costa africana até Serra Leôa e legando ainda á sua patria os descobrimentos dos archipelagos dos Açores, de Cabo Verde e do Brazil.
A morte do infante não faz, porém, arrefecer o enthusiasmo lusitano pelos descobrimentos e já dois annos depois, em 1462, d. Affonso V, por carta regia de 29 de outubro, faz doação a seu irmão o infante d. Fernando, filho adoptivo de d. Henrique e seu herdeiro universal, de uma terra achada no mar alto, a noroeste das ilhas Canarias e da Madeira, que Gonçalo Fernandes havia descoberto. Essa terra não podia ser outra senão a America.
Mezes antes, por carta régia de 19 de fevereiro, esse mesmo Affonso V havia feito doação a João Vogado de duas ilhas por elle descobertas no mar oceano, ás quaes dera os nomes de Lono e Capraria. Nos documentos da época, a expressão mar oceano era usada para designar o mar que banhava a America, que então ainda não tinha esse nome. Esta doação a João Vogado prova que as duas ilhas Lono e Capraria eram ilhas ou pontos da costa americana.
Onze annos depois, em 1473, d. Affonso V, por carta régia de 12 de janeiro, faz doação á sua sobrinha d. Beatriz, filha do infante d. Fernando, de uma ilha que apparecera, em 1468, através da ilha de Santiago, e que era uma das Antilhas, aonde só 24 annos depois aportou Colombo. Convém notar que esta descoberta é feita por navegadores portuguezes 5 annos antes da chegada de Colombo a Lisboa.