Co'a mente juvenil, sublime, alada
Sabes da térrea Mansão, Mansão profana;
Introduzes, Moniz, a idéa ufana
Lá na de Sóes sem conto Estancia ornada.
Já, de Lysia cantando a Historia honrada,
Sôas qual Grega Musa, ou qual Romana;
Já, medrando nos Céos a força humana,
Teu Metro creador faz Ente o Nada.
Nove Deosas louçãas, tres Deosas nuas
Te abrem thesoiros: cada qual te admira
No verso graças mil, que fôrão suas.
Assás luzio teu Estro: a mais aspira;
E estranho não será que substituas
A tuba de Marão de Flacco á Lyra.
Quero (se meus dias findarem) deixar huma prova do muito em que tive, do muito que merecem os talentos de hum dos meus mais caros Amigos.
Ao súbito desastre de hum Poeta amado da Nação.
+SONETO XI.+
Cantor, que a fronte erguia engrinaldada
Comvosco, Idálias crôas: myrto, e rósas,
Que vio por mão das Tágides formósas
De aljôfares a Lyra, e de oiro ornada;
Mente, de ethéreos Dons abrilhantada,
Que, sôlta em producções louçãas, pompósas,
Surgio, voou com azas luminósas
Ante o Bando que vai de rôjo ao Nada;
Estro, opulento do Febêo Thesoiro,
(Já dos épicos Sons talvez no ensaio)
Ouvio sahir das trévas triste agoiro.