Se as arduas Leis da sãa Filosofia
Sacra Egíde não são contra a Desgraça,
Então em que desdiz a humana Raça
Das outras, que Razão não alumia?

Seus venenos distille a Tyrannia,
Raivoso o Fado em raios se desfaça:
Alma, que o lume da Razão repassa,
Sórve tranquilla o néctar d'Alegria.

Quando a Ventura ao pensamento acóde,
E não próva revezes o Desejo,
Embates d'Afflição qualquer sacóde.

Aos males na constancia ser sobejo
A poucos dado foi; Elmano o póde:
Dá, que hum novo troféo gloríe o Téjo.

Moniz.

Ao Senhor Manoel Maria de Barbosa du Bocage, em resposta ao Soneto pag. 6., pelos mesmos coasoantes.

+SONETO XIV.+

Em teu Genio s'inflamma fogo intenso,
Brilhante emanação d'um Deos, d'um Ente,
Que as Estrellas, a Lua, o Sol ridente
N'um dia fez surgir do Cháos denso:

Teu extasis t'eleva a Espaço immenso,
Sentes impulsos, que o Mortal não sente;
Eis lúcido clarão te abraza a mente,
E o Ser encaras, por quem vivo, e penso.

Pasmado, absôrto no fulgor Divino,
Repassado de atónito desmaio,
Ant'o Solio do Eterno t'imagino: