Inda, Cysne do Téjo, inda teu Canto,
Bem que rouco, s'escuta; e em desconsolo
Já das Musas te chora o Côro santo.

Quando não ergas o mellífluo collo,
Quem restará chorar-te? Hum Deos em pranto
Se ha de então vêr, chorando o mesmo Apollo.

Por Thomaz Antonio dos Santos, e Silva.

Em resposta ao antecedente: Elmano a Tomino.

+SONETO XVIII.+

Vapor doirando, que me afuma os Lares,
(Porque a Morte os bafeja de contino)
Sôlto de ti relampago divino,
[25] Milton de Lysia, alumiou meus ares.

O bem d'ouvir-te, o bem de me chorares
Quasi que irmana desigual Destino:
«Tu de assombros Cantor, (Fébo, ou Tomino)
«Eu Ave, eu órgão de pavor, de azares.»

Níveo matiz d'auriferas arêas [26],
Cysne qual Jove outr'ora [27], e que no alado
Extasi aos Céos a melodia altêas!

Vóz, de que adóro o cântico sagrado,
Vóz, que a dor minha, o Fado meu prantêas!
Dá-me teus sons, e cantarei meu Fado. [28]

[25] Pelo estro, e pela cegueira.