+SONETO XX.+

Se na que, mórna, e lúgubre, murmura,
Corrente Avérna, como as sombras densa,
Dér quéda enórme a sôfrega Doença
Que á vida quer sorver-me a fonte impura:

De eleitos Vegetaes sagaz mistura
Não foi rígido estôrvo á Morte infensa:
Só póde aos olhos meus Virtude immensa
A do Horror ferrolhar Morada escura.

Arde, ó Estro! Fulmina o Monstro humano,
Que origem vil ao Mundo, a si presume,
E á Causa divinal repugna, insano.

Salvè, Principio d'Alma, ethéreo Lume!…
Se hun Deos não fôra, que seria Elmano!
Existe o Vate por que existe o Nume.

+FIM.+