Agora que a seu lôbrego Retiro
Como que a baça Morte me encaminha,
E o coração, que as ancias lhe adivinha,
Débil se ensaia no final suspiro:

Musa de Elmano, e Musa de Belmiro,
Una-se a gloria sua á gloria minha:
Meu nome aguarentou com voz mesquinha,
Eu justo ao seu não fui, e a sê-lo aspiro.

Nem tu me esquecerás, Gastão cadente [22],
Lustroso apar do mim, quando de chófre
Igneas canções brotei, c'um Deos na mente.

Abri, Verdade, abri teu áureo cófre:
Isto Elmano extrahio co'a mão tremente
No sério ponto que illusões não sóffre.

[22] Se a locução, a fantasia, e o rhythmo caracterizão a mente Poética, aponto D. Gastão Coutinho como dorade com estes thesoiros do Espirito. Não sôa, como devêra, (e altamente) o louvor de Thomas Antonio dos Santos, e Silva nos meus talvez ultimos versos, porque em outros, de monção mais Febéa, e já divulgados, lhe teci elogios, em que a fraterna amizade, que de muito nos liga, nada proferio avêsso á justiça, e ao tom circunspecto do Discernimento.

+SONETO VIII.+

Não mais, ó Tejo meu, formoso, e brando,
Á márgem, fértil de gentis verdores,
Terás d'alta Ulysséa hum dos Cantores,
[23] Suspiros no áureo metro modulando.

Rindo não mais verá, não mais brincando
Por entre as Nynfas, e por entre as Flores
O Côro divinal dos nús Amores,
Dos Zéfyros azues o affavel Bando.

Co'a fronte já sem myrto, e já sem loiro,
O arrebata de rôjo a mão da Sórte
Ao Clima salutar, e á márgem de oiro.

Ei-lo em Fragas de horror, sem luz, sem nórte;
Sôa daqui, dalli piado Agoiro:
Sois vós, Desterro etérno, Ermos da Mórte!