«O progresso estorvai da atroz conquista
«Que da philosophia o mal derrama!…»
Disse, e em férvido tom saúda, e chama,
Sanctos surdos varões por sacra lista:

D'elles em vão rogando um pio arrojo,
Convulso o corpo, as faces amarellas,
Cede triste victoria, que faz nojo!

O rapido francez vai-lhe ás canellas;
Dá, fere, mata; ficam-lhe em despojo
Reliquias, bullas, merdas, bagatellas.

[II]

Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um d'aquelles, que não fazem falta,
Verbi-gratia — o theologo, o peralta,
Algum duque, ou marquez, ou conde, ou frade:

Não quero funeral communidade,
Que engrole sub-venites em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu tambem vos dispenso a charidade:

Mas quando ferrugenta enchada idosa
Sepulchro me cavar em ermo Outeiro,
Lavre-me este epitaphio mão piedosa:

«Aqui dorme Bocage, o putanheiro:
Passou vida folgada, e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro.»