Passou a um seminario feminino,
Dos que mais bem providos se apregôa,
Onde a um frade bem fornida ilhôa
Dava d'esmola cada dia um pino:

Tinha o mouro fodido largamente,
E já basofiando com desdouro
Tractava a nação lusa d'impotente:

Entra o frade, e ao ouvil-o, como um touro
Passou tudo a caralho novamente,
E o triumpho acabou no cú do mouro.

(D.)

[XXVIII]

Uma noute o Scopezzi mui contente
(Depois de borrifar a sacra espada
Que traz da rubra fita pendurada
Com cuspo, e vinho, que vomita quente:)

Conversava co'a esposa em voz tremente
Sobre a grande ventura inesperada
De ser a sua Placida adorada
Por um Marquez tão rico, e tão potente;

A velha lhe replica: «Isso é verdade;
Em quanto moça fôr, nunca o dinheiro
Faltará n'esta casa em quantidade.

«Mas tu sempre és o tafulão primeiro;
Pois tendo cabrão sido n'outra edade,
És agora o maior alcoviteiro!»