Adorna hirsuto rispido pentelho
Os ardentes colhões do bom Ribeiro,
Que são duas maçãs de escaravelho,
Não digo na grandeza, mas no cheiro:
Ali piolhos ladros tão vermelho
Fazem com dente agudo o pau leiteiro,
Que o cata muita vez; mas ao tocar-lhe
Logo o membro nas mãos entra a pular-lhe.
V
Os maiores marsapos do universo
Á vista d'este para traz ficaram;
E do novo Martinho em prosa, e verso
Mil poetas a porra decantaram:
Quando ainda o cachorro era de berço
Umas moças por graça lhe pegaram
Na pica já taluda, e de repente
Pelas mãos lhes correu a grossa enchente.
VI
De Polyphemo o nervo dilatado,
Que intentou escaxar a Galathéa,
Pelo mundo não deu tão grande brado
Como a porra do preto negra, e fêa:
Da Cotovia o bando gallicado
Com respeito mil vezes o nomêa,
E ao suberbo estardalho do selvagem
As putas todas rendem vassallagem.
VII
O longo, e denso veo da noute escura
Das estrellas bordado já se via;
E em rota cama a horrenda creatura
Os tenebrosos membros estendia:
Do caralho a grandissima estatura
C'os lençóes encobrir-se não podia,
E a cabeça fodaz de fora pondo
Fazia sobre o chão medonho estrondo.
VIII
Os ladros, que fieis o acompanhavam,
A triste colhoada a cada instante
Com agudos ferrões lhe traspassavam,
Atormentando a besta fornicante:
Na durissima pelle se entranhavam,
Supposto que com garra penetrante
O negro dos colhões a muitos saca,
E o castigo lhes dá na fera unhaca.