Eis me visto, eis me lavo, e esta engraçada
Fui ver in continenti; oh ceos! que mina!
Que breve pé! Que perna tão divina!
Que mamminhas! que rosto! Oh, que é tão dada!

A porra nos calções me dava urros;
Eis a levo ao meu leito, e ella rubente
Não podia soffrer da porra os murros:

«Ai!.. ai!.. (de quando em quando assim se sente)
Uma porra tamanha é dada aos burros,
Não é porra capaz de foder gente.»

[XLV]

Pela escadinha de um courão subindo
Parei na sala, onde não entra o pejo;
Chinelo aqui e ali suado vejo,
E o fato de cordel pendente, rindo:

Quando em miseria tanta reflectindo
Estava, me appareceu nympha do Tejo,
Roendo um fatacaz de pão com queijo,
E para mim n'um ai vem rebolindo:

Dá-me um grito a razão: — «Eia fujamos
Minha porra infeliz já d'este inferno…
Mas tu respingas? Tenho dicto, vamos…»

Eis a porra assim diz — «Com odio eterno
Eu, e os socios colhões em ti mijamos;
Para baixo do embigo eu só govérno.»