[LI]
Com que magoa o não digo! Eu nem te vejo,
Meu caralho infeliz! Tu, que algum dia
Na gaiteira amorosa filistria
Foste o regalo do meu patrio Tejo!
Sem te importar o feminino pejo,
Traz a mimosa virgem, que fugia,
Fincado á terna, afadigada Armia,
Lhe pespegavas no coninho um beijo:
Hoje, canal de fétida remella,
O mysantropo do paiz das bimbas,
Apenas olhas candida donzella!
Deitado dos colhões sobre as tarimbas,
Só co'a memoria em feminil canella
Ás vezes pivia casual cachimbas.
[LII]
Que eu não possa ajuntar como o Quintella
É cousa, que me afflige o pensamento;
Desinquieta a porra quer sustento,
E a pivia tracta já de bagatella:
Se n'outro tempo houve alguma bella,
Que a amor só désse o cono pennugento,
Isso foi, já não é; que o mais sebento
Cagaçal quer durazia caravella.
Perdem saude, bolsa, e economia;
Nunca mais me verão meu membro roto;
Esta a minha porral philosophia.