«Em dialogo, a certo Fidalguinho que, pedindo vir com licença a Lisboa da guerra do Russillon por cá se deixou ficar; até que o obrigaram a voltar: o estylo é rasteiro, attentas as pessoas que falam.»

[Pag. 136] — Soneto XXVI.

A proposito d'este soneto, ajuntaremos aqui outros de assumpto analogo, que todos têm sido em diversos tempos attribuidos a Bocage, mas que de certeza sabemos lhe não pertencem. O primeiro é de Fr. José Botelho Torrezão, frade paulista, fallecido em 1806; — o segundo de José Caetano de Figueiredo, official maior que foi da Junta do Commercio; — o terceiro de Francisco Manuel do Nascimento. Dos outros não podemos assignar ao certo os nomes de seus auctores.

Do throno excelso nos degraus sagrados

Do throno excelso nos degraus sagrados
D'Assiz o patriarcha ajoelhára;
E consta que d'esta arte se queixára
Ao Deus, que rege o céu, e move os fados:

«Grande Deus, com que pejo relaxados
«Vejo os filhos, que outr'hora abençoára!
«Já entre elles o vicio se descara,
«Já de Christo não são, da fé soldados!

«Eu te rogo, senhor, que aos loucos brades,
«E lhe avives a fé no paraiso!…»
Riu-se Deus, e lhe disse: — Não te enfades:

— Frades não fiz, de frades não preciso;
Quando o mundo souber o que são frades,
Ha de extinguil-os, se tiver juizo.