Dava meia noite.

XVI

Foi só no dia seguinte que reflecti bem no que se passara na vespera. Foi então que me espantei de D. Antonia não ter tornado a apparecer na sala. Um passeio a pé, por mais que o prolongasse, não podia ter durado tanto tempo. Demais lembrou-me então que a tinha sentido voltar meia hora ou tres quartos de hora depois de ter saido. Por que motivo não viera para a sala? Havia n’isso o projecto de alguma infernal armadilha? Ia dentro em pouco sabel-o.

D. Antonia não me deu palavra durante esse dia todo, coisa com que eu folgava bastante; mas no outro dia, sem me ter prevenido da sua chegada, appareceu meu marido, visivelmente agitado sob a sua mascara de gelo.

Acolhi-o com jubilo. Sentia um certo contentamento intimo por ter cumprido o meu dever. Estava satisfeita comigo mesma, o que já concorre muito para se estar satisfeito com os outros.

Meu marido fallou-me com bastante frieza. Logo depois encerrou-se com D. Antonia, e teve com ella uma larga conferencia.

Depois appareceu ainda mais agitado, passeou algum tempo, pegou no chapéo e saiu.

D’ahi a pouco, voltou, sempre agitado, e fechou-se no seu quarto.

Á noite appareceram as visitas do costume, coisa que me espantou sobremaneira, porque julgava que não voltariam tão breve.

Comtudo a condessa deu bem a entender que vinha a nossa casa em attenção a Claudio, e só em attenção a elle.