—Mas porque não se demora pelo menos alguns dias?{117}

—Sou militar, sr. Guimarães, e devo cumprir á risca a ordem que recebi.

—Esta é que eu não esperava!

—Ingrato, e eu amava-o tanto, murmurou Emilia, recostando-se na poltrona.

—Então, minha senhora, cá fica Dyonisio para a consolar. É um bello rapaz, d'um caracter excellente, e com alguma applicação póde-se tornar um heroe de romance. Dê-lhe v. ex.ª vinagre todos os dias, e receite-lhe uma dose forte de Visconde d'Arlincourt, e verá como faz do sr. de Val-de-Camellos um rapaz ideial. Vou para Lisboa formar votos pela sua felicidade.



N'essa mesma tarde, Eduardo Teixeira empoleirado no seu fiel rocinante, dizia adeus a Santo Thyrso, depois de ter aturado uma scena pathetica de despedida, tal como a poderia imaginar o mais lamuriento auctor de melodramas.

O sr. Dyonisio Antunes de Val-de-Camellos, veiu com grato coração, e com um jumento chibante, em que montava, acompanhar o{118} nosso heroe á Travage, onde se despediu de Eduardo, protestando-lhe eterno agradecimento, e amisade constante.

Dyonisio Antunes continua serenamente o namoro com Emilia, sujeitando-se comtudo a uma dieta rigorosa, a ver se abate um pouco a sua nutrição anti-romantica.