CHILON

Ouvide, divino Cezar! Glaucos, o medico, não me ensinava que a doutrina christã ordenasse que se odiassem os homens; pelo contrario dizia que esse Christo era uma bôa divindade e que a base da sua doutrina era o amôr. Amei Glaucos e tanto d'elle confiei que com elle partilhava o meu pão e o meu dinheiro. Um dia, entre Napoles e Roma, deu-me uma punhalada e vendeu-me a mulher, a minha Berenice, tão formosa e tão bella! a um mercadôr de escravos!

POPPÊA

Pobre homem.

CHILON

Chegado a Roma procurei os seus chefes para obter justiça contra Glaucos. Nada obtive; mas fiquei conhecendo o apostolo Pedro, o apostolo Paulo, o filho do Zebedeu, Crispo e muitos outros. Sei onde habitavam, antes do incendio e onde se reunem. Posso indicar o subterraneo do Vaticano e o Cemiterio d'Ostrianum. N'este, ouvi pregar o apostolo Paulo. Vi Glaucos degolar creanças para que o apostolo derramasse o sangue sobre a cabeça dos neophitos e ouvi Lygia, a filha adoptiva dos Plaucios, gabar-se de ter enfiteiçado a tua filha, divina Osiris! e a tua, ó Isis, a pequenina Augusta!

POPPÊA

Cezar, vinga a nossa filha! Ouves, Cezar?

NÉRO

Por Hercules!