E quê cheiro! A peripecia extranha foi esta. Quando soaram as cornetas, correu-se a grade d'um subterraneo e um homem colossal, um Lygio, de côxas herculeas e braços, os musculos do peito que pareciam dois escudos unidos, tal era o relêvo, appareceu, na arêna! Quando se esperava que inimigo lhe dariam, abriu-se a grade fronteira e um toiro da Hespanha, negro como a noite, rompeu pelo circo, trazendo, atado ás hastes, no cachaço, o corpo semi-nú d'uma virgem christã. Lygia! rugiu o escravo ao conhecer a rapariga! Lygia, tem coragem!... E, de espinha curva, rapido, cortando a terra, o olhar em braza, as mãos em garra... aproximou-se do toiro, e d'um salto, cahiu-lhe na frente, agarrando lhe os cornos! Fez-se um silencio profundo! Ouvir-se-hia o vôo d'uma môsca! Homem e toiro quedaram se na imobilidade do marmore, semelhantes a um trabalho d'Hercules, esculpido! Para se libertar do jugo, o toiro, fincando-se nas patas, dobrou-se, em arco: turgiam-se os musculos do homem a estalar a pelle que se fazia purpura! No peito de Néro, como no das vestaes, como nos do povo inteiro, os corações saltavam! Corria o suor pelas testas! A palavra expirava nos labios! Homem e toiro, n'um suprêmo esforço, dir-se-hiam pregados no solo! Estes momentos duraram séculos. Subitamente, ouviu se como um vagido surdo, e, como n'uma allucinação, os olhos viram a cabeça da fera, voltar, voltar, quasi imperceptivelmente... Ouvia-se o respirar offegante do homem; mas a cabeça do toiro continuava a voltar-se, lentamente, lentamente... quando, de subito, da bôcca sahe-lhe, pendida a lingua cheia de baba! Um momento mais... um ranger de vertebras... e n'um tremôr subito, o olhar baço, o pescoço estendido, como uma massa inerte, o toiro cahe!... morto!
NERVA
Por Jupiter, eis ahi um homem!
JULIA
Por Venus!
LUCIO
Por Hercules!
OCTAVIA
E, foram perdoados?