Tambem ella sentia por elle o que nunca sentira, mas não tinha coragem para resistir ás ordens de seu pae.

Por esse tempo andava elle a arranjar o casamento da filha com o conde de V., um moço que tinha nas veias o sangue dos reis godos, e na cabeça a mais crassa estupidez de que ha memoria desde o tempo dos ditos.

Margarida sabia ou suspeitava do caso, mas deixava-se ir n'uma indolencia de crioula á mercê dos acontecimentos da sua vida.

Ao pé de Eduardo sentia-se bem, e quando elle a fixava com o seu bello olhar de ambicioso e de pensador, Margarida esquecia-se de tudo que não fosse a delicia de ser preferida por aquelle homem.


N'uma noite em que os hospedes habituaes estavam na sala, e em que junto da meza redonda do serão Eduardo e Margarida liam esquecidos de tudo que os cercava, felizes, despreoccupados como os dous amantes do florentino, ouviu-se o rodar de uma carruagem que parava á porta do palacio.

O banqueiro levantou-se rapidamente da banca do voltarete e sahiu da sala relanceando para a filha um olhar de esconso.

Margarida, sem saber porque, fez-se pallida como uma morta.

—Ó meu amigo—exclamou n'um impeto ardente, irresistivel, que não soube conter,—chegou o fim da nossa felicidade!