O seu affecto por Margarida tivera uma recrudescencia violenta e dolorosa.
Tinha vagos presentimentos que o faziam chorar.
Parecêra-lhe que sua tia, uma vez, ao encontral-o n'um corredor, olhára para elle com uma aguda ironia malevola.
—Não sabes, Thadeu? gritou Margarida entrando como um raio de sol no quarto onde costumava brincar com o primo. Não sabes?—E atirou-lhe negligentemente aos pés com um feixe de flôres e de folhas verdes que estivera colhendo na quinta.—Tambem eu vou com o papá e a mamã. Vamos a Paris... muito longe... muito longe... Estive á escuta... percebi umas cousas mas não percebi outras. Fallaram n'um convento... no Sacré Cœur... Sabes o que é?...
Thadeu sabia.
Não disse nada, mas no outro dia não pôde levantar-se da cama.
Tinha dôres em todo o corpo e um grande cançasso, como de quem deu uma larga caminhada.
Gemia baixinho abrazado em febre, e quando pediu muito humildemente, com medo de recusa, para ver Margarida, disseram-lhe que a doença d'elle podia pegar-se e que as meninas não iam ao quarto dos homens.
Pois isto é um homem? pensava Thadeu desolado.