Thadeu perdêra sua mãe, mas aquella figura apagada, melancolica, de uma debilidade de valetudinaria, pouca falta havia feito no palacio illuminado e radioso.
O marquez aconselhado por alguma pessoa de juizo e de caridade tinha consentido a que logo depois da partida de Margarida seu sobrinho entrasse para um collegio.
Tambem já lhe não servia para nada.
Com o seu corpo magro e desengonçado, um corpo de funambulo, um corpo de grotesco, tinha melancolias quixotescas que incommodavam quem o via.
Os criados deram por mais de uma vez com o rapazola a chorar de bruços n'um recanto do jardim, chamado o canteiro de Margarida.
Era um pequeno espaço semeado de flôres, onde principalmente abundavam os malmequeres brancos que tinham o poetico nome da filha do marquez.
Havia ali uma grande arvore, um castanheiro copado cuja rama folhuda abrigava as longas scismas dolorosas de Thadeu.
Não se podia consolar!
Era ali n'aquelle sitio fresco, esmaltado de flores, exhalando um cheiro agreste e sadio, que elle se deixava ficar horas e horas esquecido de todos, n'uma especie de lethargo bestial, o lethargo de um animal ferido.
E desfiava na memoria todo o seu passado, toda a vida que vivêra, abandonado, desprezado, perseguido de chufas ou de maus tratos, de caprichos humilhantes, ou de observações glacialmente desdenhosas.