A democracia bem entendida não póde separar-se da ideia da justiça.
Desde que uma despontou sobre a terra, outra começou a apparecer imponente e irresistivel ao espirito dos que sabem ler em vagos prenuncios as transformações fataes de que teem de ser theatro as sociedades.
A democracia não está, pois, destinada a morrer como as outras fórmas sociaes que a precederam, e que não foram senão a lenta preparação do seu triumpho, comquanto pareçam as suas inimigas irreconciliaveis.
Entre os elementos que constituiram o passado, e os que vão constituir o futuro, não ha inimizade, ha incompatibilidade.
Uns teem de succumbir para que os outros triumphem, eis tudo.
N'esta grande evolução que nunca pára, o que ás vezes se nos afigura mais contrario a uma causa é justamente aquillo que lhe está preparando a victoria absoluta.
É bom que tenhamos isto sempre bem presente, para que não sejamos accintosamente inimigos do que foi, nem loucamente vaidosos do que vai ser.
Os acontecimentos não são nunca o resultado de uma causa isolada; são a consequencia fatal de uma lei relacionada com todas as outras, parte que está em perfeita harmonia com o seu conjuncto.
A geração de hoje, e a que foi sua predecessora, fizeram muito, é verdade, em favor da causa democratica, porém não foram ellas que no curto espaço de um seculo semearam o germen, regaram a planta, a viram transformada em arvore gigantesca, e lhe colheram os fructos abençoados.