Na frisa, radiante de mocidade, de fina distincção, com todos os requintes da moda a fazer realçar a sua belleza moderna, fragil, quebradiça, alguma cousa amaneirada estava Margarida.

A marqueza ao lado d'ella conversava com um velho diplomata.

Á entrada dos dous a mãe teve um comprimento um pouco secco, a filha um sorriso de graça adoravel, de garridice innata mas irresistivel.

—Quiz vêl-o porque soube que tem sido muito bom para Thadeu, excellente mesmo. Elle contou-me tudo.

Pobre rapaz! poor dear boy! e sorriu-se outra vez com um aspecto bondoso e protector que a transfigurou por instantes.

—Eu tinha-me esquecido, o Thadeu é que se lembrava de tudo. Fez-me reviver a minha infancia. Sempre é bom. Agora já estou tão velha que acho immensa graça a estas recordações do passado.

E graciosa, maternal, afastando toda e qualquer idéa que não traduzisse uma solicitude encantadora para o seu companheiro da infancia, Margarida foi o que seria a noiva idealisada pelo austero coração de Henrique.

E d'ali em diante o amigo de Thadeu deixava-se arrastar de oito em oito dias até o palacete dos marquezes.

Era ali optimamente recebido.

Margarida, adorada pelos paes, dava a lei em casa. Sabiam-n'a voluntariosa, cheia de caprichos e de phantasias, tinham medo de irrital-a resistindo-lhe.