Ás vezes nos seus dias de melhor humor sahia com elle, que tinha apenas sete annos de idade, de casaca, chapéo-alto, e berloques na cadeia do relogio.

Tinha tempos em que não podia passar sem a sua companhia; a creança era a unica distracção do anão.

As caricias d'esse homem singular, de olhar faiscante, de cabelladura revolta e electrica, de voz sonora e rica de inflexões estranhas, doíam, porém, ao pequeno muito mais do que os desprezos ou os máos tratos dos outros.

Ao pé d'estes sentia-se perseguido, ao pé d'aquelle sentia-se humilhado.

Um dia o marquez—o tio do pequeno Thadeu era marquez,—achou comico mandar introduzir a creança no cofre acharoado que havia junto ao fogão do gabinete de trabalho, destinado a guardar a lenha ou o carvão que se consumia.

De minuto em minuto abria-se a tampa e sahia a cara vermelha e congestionada do pequeno, uma cara de animal assustado, o que divertia extraordinariamente as visitas.

Outra vez, n'uma ceia alegre em que havia rios de champagne e risadas crystallinas de mulheres, Thadeu com um fato de meia preta a cobril-o todo e dous castiçaes nas pequenas mãos, servia de centro agachado n'uma posição grotesca no meio da meza.

Sahiu d'alli com uma febre que o teve um mez entre a morte e a vida, delirante, sem conhecer ninguem, com a mãe debulhada em lagrimas á cabeceira.

Mas Thadeu não gostava de sua mãe.