Repararam todos na insistencia de Antonio de Vasconcellos, e as suspeitas mais e mais se enraizaram no espirito dos convivas.

O pobre rapaz, que conhecia a falsa posição em que se collocara com a sua phrase, sentia-se humilhado e como que vendido n'aquelle meio.

Os proprios criados olhavam-no com manifesto desprezo.

Vasconcellos disse ainda ao diplomata:

—Sr. Jorge de Alvim, pela ultima vez, quer ouvir-me?

—Homem, já sei; é pobre, teve uma fascinação, já li isso não sei aonde... Ah! já sei... n'um conto de Balzac...

E voltou-lhe as costas.

N'esse instante uma voz entaramellada e rouca echoou na sala:

—Peço que me escutem! como sou o unico pobre que aqui está, e como todas as circumstancias são em meu desfavor, podem julgar que fui eu que roubei esse annel. Se não consenti na proposta feita pelo Sr. Jorge de Alvim,—e na pallidez do seu rosto destacavam-se duas rosas de pejo,—foi porque, se me revistassem, encontravam-me no bolso isto que eu furtei para levar á minha irmã que não come desde hontem... disse o mancebo tirando da algibeira um pão.