Os pruductos da fabrica da Vista Alegre tem sido premiados com medalhas de cobre e prata em todas as exposições do Londres, Paris, Philadelphia, Vienna d'Austria, Rio de Janeiro e Internacional do Porto.
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A fabrica da Vista Alegre tambem tomou parte muito activa nos acontecimentos politicos de 1846 e 1847. Quando em 14 de maio d'aquelle anno a cidade de Aveiro adheriu ao pronunciamento popular iniciado no Minho, a população operaria da Vista Alegre pronunciou-se tambem e fraternisando com os que n'aquella cidade se haviam revolucionado, marchou com elles para Cantanhede e d'aqui para Coimbra, a fim de receber ordens e instrucções da junta governativa, que ali se havia installado. De Coimbra marcharam os operarios da Vista Alegre e os populares d'Aveiro para Villa Nova de Gaya, onde se conservaram até que o Porto adheriu tambem á causa que elles defendiam.
Feita a revolução no Porto em 9 d'outubro contra o golpe de Estado de 6 do mesmo mez, os operarios da Vista Alegre abraçaram logo com enthusiasmo a causa da junta, procedendo immediatamente á organisação d'um corpo de voluntarios, com o nome de Batalhão{36} Nacional do Concelho d'Ilhavo. No dia 23 de outubro marchou o batalhão para o Porto, levando por commandante um dos proprietarios e administrador da fabrica, o snr. Alberto Ferreira Pinto Basto, e por major o director da mesma fabrica, João Maria Rissoto.
No dia 28 de outubro fez o batalhão da Vista Alegre, pois era assim que era conhecido, a sua entrada no Porto, indo á sua frente o Visconde de Sá da Bandeira, que chegando n'esse mesmo dia de Lisboa, quiz honrar os valentes operarios, commandando-os n'aquelle dia.
Organisando-se a divisão com que o Visconde de Sá da Bandeira, devia operar em Traz-os-montes contra as forças do Barão do Casal, o batalhão da Vista Alegre foi um dos escolhidos para d'ella fazerem parte, e como tal entrou na acção de Valle Passos, que teve logar em 10 de novembro. São bem conhecidos os resultados d'esta acção, para que os relatemos aqui. Como o nosso proposito é só fallarmos da Vista Alegre, diremos que o batalhão d'este nome, entrou com galhardia em fogo sustentando-o com vigor até mesmo depois da deserção dos regimentos 3 e 15 de infanteria. Não podendo, porém, resistir ao choque da cavallaria e ao d'um d'aquelles regimentos, que o carregára á bayoneta, o batalhão retirou com alguma confusão para a rectaguarda, unindo-se depois ao resto das forças com que Sá da Bandeira voltou para o Porto.
Durante o resto da lucta não tomou parte em qualquer outro combate, mas guarneceu por vezes differentes pontos das linhas e alguns d'elles muito importantes, até que teve de depôr as armas como as demais forças populares, em virtude da convenção assignada em Gramido em 21 de junho de 1847.{37}
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No dia 13 de cada mez ha na Vista Alegre, um mercado muito importante, conhecido pela triplice denominação da Feira dos treze, da Ermida, e do Bispo. Este mercado foi estabelecido a requerimento do juiz, vereadores e mais povo das villas da Ermida e Ilhavo, por alvará de 15 de junho de 1693, que ordenou que o mercado mensal se tornasse em annual no dia 13 de setembro, dia da invocação da padroeira da capella da Vista Alegre—Nossa Senhora da Penha de França.
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