Depois de pintada a louça vae á estufa para seccar as tintas e em seguida para dentro das muflas a fim de fixar em si as tintas, ganhando as respectivas côres, as quaes se vetrificam com os fundentes.

MACHINAS E FORNOS

A machina a vapor, collocada na officina de trituração, a que já nos referimos, foi feita em Lisboa por Bachelay. Tem duas caldeiras de fogo central e força de 14 cavallos. Foi assente em 1855 por Daniel Werlong, artista de raro merito com o curso de artes e officios em Paris, que durante alguns annos dirigiu a officina de serralheria da fabrica.

A chaminé que dá vasão ao fumo das caldeiras tem 14,m de altura e foi construida em 1879, por operarios do estabelecimento.

A machina communica movimento por meio d'uma correia sem fim, a um tambor fixo no veio principal o qual o transmitte por meio de engrenagens aos differentes engenhos destinados a moer e misturar os materiaes, empregados no fabrico da porcelana.

Ha quatro fornos destinados para coser a porcelana, todos com a fórma cylindrica, construidos com{44} tijolos refractarios fabricados no estabelecimento. Cada um d'elles tem quatro fornalhas e dois andares; o maior tem cinco.

No inferior colloca-se a louça que tem de ser esmaltada, elevando-se a temperatura ao rubro branco, e no superior a que tem apenas a receber o calor brando ou pequeno fogo que lhe dá o poder absorvente para ser vidrada.

No chacote a cosedura adquire o rubro cereja proximamente a temperatura da fusão de ferro. O chacote é aquecido pela chamma perdida do primeiro compartimento.

Sobre as fornalhas dos fornos ha aberturas rectangulares, chamadas vigias por onde se observa o grau de calor e se tiram as amostras, sobre as quaes se verifica directamente o estado da cosedura.

Além dos quatro grandes fornos ha outros mais pequenos destinados a fixar as tintas, que são as muflas. Estes fornos, se tal nome se lhe pode applicar, são caixas feitas de argila refractaria, separadas umas das outras por paredes de igual natureza.