A Luiza Braga, a quem ella contara o pedido do Jorge, tinha-lhe dado uma gargalhada nas bochechas, dizendo-lhe que o veterano estava de certo a caçoar com ellas, e que tirassem d’alli a sua ideia.

—Elle é isso? bradou a Rosa, tambem furiosa. Pois negra seja eu, se não estiver casada antes de um mez!

Tinha cumprido a promessa.

III

Tres semanas depois do casamento houve tourada de corda em S. João de Deus.

O Jorge, logo que a Isabel falou em irem todos ao divertimento, condescendeu, dizendo que não queria a rapariga para freira nem para bicho do buraco, e d’alli a boccado saíam do castello pela porta dos carros, os noivos na frente, a Isabel e o José Maria um pouco mais atraz.

Os caçadores da guarda piscaram os olhos uns para os outros cubiçosamente ao verem a Rosa, e um de S. Miguel, mais descarado, commentou, a meia voz, que nenhum d’elles apezar de moços, se benzeria com um «peixão de estoiro» como aquelle que o velho tinha apanhado.

O José Maria, que ainda ouviu a graçola, cuspiu-lhes a phrase: «Galuchada atrevida!» mirando de soslaio o chocarreiro.

Depois de descerem até Angra e de atravessarem parte da cidade, cujas ruas, de ordinario pouco concorridas aos dias santos, mais se despovoavam n’aquelle domingo por causa da tourada, os quatro subiram até ao arrabalde de S. João de Deus, onde já enxameava uma grande multidão.

Dos mirantes, pouco mais altos que uma pessoa, debruçavam-se muitas damas, a quem os donos das casas sempre reservam os melhores logares, e por traz d’ellas ou dos lados apinhavam-se as mulheres do povo, merecendo geralmente umas e outras os olhares de quem buscasse apenas caras bonitas, sendo porém as segundas mais dignas da attenção do pintor de costumes, em razão da variedade dos trajos, que ostentavam quasi sempre com extremada garridice.