--Então já assim caminhamos para o Céu, snr. meu afilhado?! Muito bem, muito bem!... Vou dar-lhe a primeira paga da sua nobre acção...
--E assim fallando tomou Arthur nos braços e, aproximando-o da filhinha, fez com que se beijassem os dous innocentes......
Treze annos depois d'estas scenas, em dia de trabalho, e por horas em que estão dezertas as egrejas das aldeias, entrava Sebastião da Mesquita no templo parochial de Santo Adrião, e batia de manso nas costas de um padre, que estava curvado sobre uma sepultura. Ao levantar-se o padre, tremeu involuntariamente o fidalgo, de encarar nas transtornadas feições do seu amigo.
--Nem tanta penitencia nem tamanha dôr, padre Alvaro, que podem não ser do agrado de Deus. Não precisa, Arthur, agora mais que nunca dos seus cuidados?
--Basta-lhe a protecção do nobre e honrado padrinho... A minha vida, está n'esta sepultura, onde talvez cahisse uma condemnada ás penas eternas!...
--Não conta com a bondade do Pae para com seus filhos, e por uma culpa involuntaria, desvanecida por innumeras virtudes, só quer vêr o castigo, em vez do perdão?!
--E as leis da egreja?!...
--E as leis da natureza; a misericordia divina; os votos de seus honrados paes; a consideração, a estima, o respeito geral; as bençãos dos infelizes e a tranquillidade da consciencia, pelo que toca a todas as demais acções da sua vida?...
--Viverei, snr. Sebastião da Mesquita, e o tempo que me sobrar da penitencia dal-o-hei á sua heroica amisade!