Corre um tempo pouco favoravel á nobreza de sangue, no dizer dos que só d'esta herança desdenham.
Respeitam-se todos os titulos hereditarios, menos aquelles, que provam uma geração briosa, e heroica!
Porquê?
É facil a resposta, a quem a quizer dar em boa fé: ralha-se do que se não póde ter. Adquirem-se bens de fortuna, distincções, tudo: só não é possivel mudar-se o berço. E quantos o mudariam, se podessem, mesmo na occasião do seu mais frenetico vociferar contra a nobreza herdada!...
Sejamos justos: haja consideração para tudo que o merece, que o bello é de todas as classes sociaes.
Descender de boa extirpe, é indubitavel gloria, e tambem onus, que obriga a muito.
Os que hoje adquirem nobreza,--e é comezinho o accesso,--se podessem testimunhar d'aqui a trezentos annos os gabos de seus fidalgos descendentes aos heroicos avós, não ficariam repletos de intima alegria?
Abrandem, pois, os propagadores demagogicos, as democraticas íras, em que decerto já tem parte o muito plebeu auctor do conto, e deixem-nos dizer, com um dos nossos doutos portuguezes, que não ha cousa mais estimavel e bella, que a nobreza do sangue, junta á nobreza do coração: é uma saphira engastada em oiro purissimo.
O colloquio das tres donzellas, fôra assim:
--Pareces-me hoje mais pensativa, ainda que de costume, minha estimavel Anna, o que tens tu?