—Ta, ta, ta, fazes favor de te calar? Se tornas a repetir esse nome, corto-te em bocados, piso-te n'um gral, e dou-te a comer ao cão!...
Adalberto sentiu talvez menos o horror d'esta ameaça, do que a maldade d'aquelles olhos pequenos e pardos, fitos nos seus com uma expressão, exquisita. Cahiram-lhe os braços, e, em attitude d'uma desanimação absoluta, ouviu a velha gritar-lhe ao ouvido:
—Hasde chamar-te Mustaphá.
—Sim, senhora, respondeu humildemente Adalberto.
—E a mim, hasde chamar-me avó.
Estas palavras fizeram ferver o sangue ao joven Valneige. Tinha conhecido sua avó, a mãe de sua mãe, tão boa, tão respeitavel, que uma tarde tinha adormecido para acordar no Céo, segundo lhe tinham dito, e teria de dar o seu nome a uma creatura infame?
—Não! exclamou elle com horror.
—Que dizes tu?
—Digo que não.
Immediatamente duas grandes bofetadas estalaram sobre a face do prisioneiro, que pela{72} força da pancada, perdeu o equilibrio e foi rolar aos pés de Gella, que lhe disse em voz baixa: