Quer tomar alguma cousa?

Traviata

Não, agora não vae nada. Já lhe disse, estou doente: não me seja impertinente. (Senta-se com mau humor).

Fernando

Pois, minha querida, as amantes que para amor nos mostrar, teem de se contrafazer, não as posso tolerar; prestam sempre máu serviço. Vou deixal-a só por isso. Amiguinhos como d'antes, ao seu dispor cá me tem, servil-a-hei com prazer, em negocios de amor, porém, assim não me venhas vêr. (Sahe).

SCENA XII

Traviata, só

(Sentimental—estende a massa no exaggero)
Oh! Diogenes! oh! Platão!
oh! vós que como a neve
tinheis frio o coração!
(Entra o creado e offerece-lhe uma pucara com agua.—Ao creado, com máu
modo
)
Vá p'ro diabo que o leve,
não me tire a inspiração! (Creado sahe).
(Sentimental)
Oh! amar assim como eu amo,
ninguem o faz, acredito.
(Outro tom) Mas se assim vou, emphtysico
e nem trez dias mais duro,
e se eu a canella estico,
lá me levam para o guano
e vou parar ao Valle Escuro.

(Ouve-se um «sol-e-dó» que passa:—Sentimental) Esta musica! Que harmonia! Que doces recordações, que saudades me provoca, como minh'alma enleia! (Outro tom) E se eu fosse p'ra rapioca com aquelles grandes ratões, não era uma boa ideia? (Sentimental) Mas não! Eu amo o Alfredo, e sinto que vou morrer.

N.º 8