Alfredo (avança com passos tragicos;—rispido)

Socegue, não tenha medo; é bem pouco o que lhe quero. Ha alguem que foi preferido e a quem deu o coração. Sou pobre mas nunca fico a dever o que utiliso; por isso pagar preciso, tal qual como paga o rico. Elle já lhe deu essa flor que no seu, cabello vejo, e eu quero, pagar-lhe o beijo que me deu com tanto ardor. Meus caprichos levo a cabo, tenho essa má qualidade. Não lhe dou flores, pois me gabo de dar prenda delicada e de mais utilidade. (Tira do embrulho uma grande cabeça de nabo, e offerece-o a Traviata) Mande-o metter na panella, faça-o guizar p'la creada, e verá que é cousa bella. Póde fazer feijoada com o bello chispe de porco. Apezar de não ter nada, por miserias não me enforco; p'ra amarrotar meus rivaes, mil sacrificios faço. Diga agora quem deu mais, se fui eu ou o ricaço.. Tratou me tal qual um mouro, porque amor me não tem. No adeus não haja choro. Viva! passe muito bem! (Sahe com pano tragico).

SCENA XIII (bis)

Traviata, só

(Erguendo-se) Já se foi! Que infeliz sou! Oh! que atroz condemnação! (Referindo-se ao nabo) Isto apenas me deixou p'ra minha consolação. Valham-me as Chagas de Christo! mata-me aquelle cachorro: a esta dor não resisto, d'esta feita é que eu morro!

SCENA XIV

Traviata, Germano e Alfredo

(Germano vem cobrindo Alfredo com o capote).

Alfredo

Ah! papá! Eu amo-a tanto!
Já não posso mais, bem vê!