Os Prazeres com os Rizos
Sejão a vossa equipagem;
Revôem em torno as Graças,
De quem sois a inveja, e a imagem:
Entrai nos tectos dourados,
Hoje lugar de saudade;
Ide, dos braços do Amor,
Lançar-vos nos da Amizade;
Levai-nos as doces noites,
Em que a voz que se escutava,
Sobre as azas da harmonia,
Nos nossos peitos entrava;
Quando o Cómico travêsso,
Entre geitos, e corcovos,
Habilmente arremedava
Todos os Muzicos novos,
O triste, calado Cravo;
Já não sente a déstra mão;
Apenas he perseguido
Pelo Senhor Dom João.[2]
[Nota de rodapé 2: Menino.]
Ide, Senhora, levar-nos
No vosso rosto a alegria;
Fazei á triste Junqueira,
O que faz o Sol ao dia;
Mas, Senhora, a minha Muza
Tem talvez errado os Cultos;
Cuidando ter feito obsequios,
Talvez tenha feito insultos;
Dirão, que, trocando as cordas
Forão meus sons desiguaes;
Que errei em fallar aos Filhos,
Sem fallar primeiro aos Pais.
Que podia esta Embaixada
Se désse em mais habil mão,
Cumprir as leis da Saudade,
Sem violar as da razão;