Depois, que as vélas de cebo
Já cerceia no topete,
E vai conquistar o Bairro
De polainas, e colete;

Depois que em chapeo de Braga,
Que só põe em dia claro,
Cozeo em devota rosca
Candêa de Santo Amaro;

Depois que em déstros meneios
O suado corpo bole,
E abre guerra ás Cozinheiras
Ao som da Gaita de fole;

Já responde focinhudo,
E eu me cálo as mais das vezes;
Porque, pelos meus peccados,
Sou réo de huns poucos de mezes:

Mas, Senhor, este Epizódio
Vai sendo dos arrastados,
O Gallego veio nelle,
Como me vai aos recados;

Se o julgardes enfadonho,
Ao Principe o não conteis;
Nos factos da minha vida
A' vontade escolhereis;

Pintai-lhe a triste familia,
Gritando-me por dinheiro;
Hoje o rol de hum Alfaiate,
A' manhã o de hum Tendeiro;

Pintai-lhe hum Procurador,
Que aqui vem todos os dias
Saber da minha saude
Da parte das Senhorias;[9]

[Nota de rodapé 9: Das Cazas.]

Enfeitai de côr alegre
A funesta narração;
Marchão ás vezes os rizos
Ao lado da compaixão;