Quem não quer só a Nobreza
De Illustres Antepassados;
E mais ama huma virtude,
Que cem Titulos herdados;

Quem sabe, que o vir honrar
Dos pequenos a baixeza,
He entre os que nascem Grandes
A verdadeira Grandeza;

Quem a favor de infelizes
Traz sempre occupada a idéa;
E estima a fortuna propria,
Só para fazer a alhea;

Cem vezes, formozo Dia,
Vem o Horizonte doirar;
Nunca possão negros ventos
Tuas luzes perturbar;

Tu nos déste em peito illustre,
Que se doe de alheios ais,
Hum coração adornado
De mil Virtudes Morais;

Senhor, eu não doiro enganos,
Que venal lizonja approva;
Sabidas verdades digo,
E sou dellas huima prova;

Sou hum dos muitos exemplos
Do vosso bom coração;
A minha felicidade
Foi obra da vossa mão;

Razoando em meu favor
Contra teimozos destinos,
Felizmente pleiteastes
A cauza dos meus Meninos;

Ao bom Principe pedistes,
Que com mão compadecida,
Lhes concedesse humas ferias,
Que durassem toda a vida;

Pedistes depois, Senhor,
Que a sua Real Grandeza
Se dignasse de arrancar-me
D'entre os braços da pobreza;