Das escumas do Madeira
Vejo nascer a alegria;
Com as azas affugenta
A minha melancolia;

Já se perturba a cabeça;
Já tenho emprestadas cores;
Já começão a esquecer-me
As molestias, e os Crédores;

O tal Horacio enganou-se;
Não conhecêo a parreira;
Não se chamava Falerno;
Se era bom, era Madeira;

He bom, mas tira o juizo;
Mandai-mo, em vez de o beber;
Não se arrisque neste jogo
Quem tem tanto que perder.

CARTA.

Desculpando-se o Author de não ir a huns Annos.

Senhora, em honra do Dia,
Esforçando a mão pezada,
Tómo a Lyra, ha longo tempo
Ao silencio consagrada;

E em quanto lhe alimpo as cordas,
Que bolor aos dedos dão,
E atarantadas aranhas
Despejando o bêco vão;

C'os olhos ao ar alçados
A' minha Muza pedia
Me désse sonóros Versos,
Dignos de Apollo, e do Dia;

Que me ensinasse a louvar
O ditozo Nascimento,
Que ao vosso brilhante Séxo
Trouxe mais hum ornamento;