Humas o appetite abrírão,
Outras socêgo lhe dão;
Sarárão as duas chagas
Co'pêllo do mesmo cão:

Dizem linguas inimigas,
Que esta doença he ficticia;
E os Práticos do meu pulso
A capitúlão malicia.

Que em meu capote abafadas
Estas goellas felizes,
Em vez de cozerem lynfas,
Estão armando ás Perdizes;

Senhor, não devo atalhar
Este conjurado assédio;
Porque era, provar doença,
Ingratidão ao remédio;

Só digo, que não ganhais,
Dando ouvido ás vozes suas;
Aqui dais-me huma Perdiz,
E se lá vou, tiro duas.

CARTA.

Bom Sobral, o que eu te disse
He, a meu pezar, verdade;
Sonóros, amenos versos,
São obra da Mocidade;

Mandaste que em Crescentini;
Louvando a doce harmonia,
O que o Mundo diz em proza,
Eu lho enfeitasse em Poezia;

Que invocando as brandas Muzas,
Encostada ao peito a Lyra;
Cante os ternos sentimentos,
Que elle nas almas inspira;

Môço Sobral, tu ignoras
Da inerte velhice os damnos;
Nesta fria testa brigão,
Co'teu preceito, os meus annos: