Vejo pálidos doentes
Pela Copa passear,
Oiço de antigas molestias
Tristes effeitos contar.
Olhos meus, etc.
Vejo nas férvidas aguas
Mirrados corpos banhar,
E de balde aos surdos Ceos
Convulsos braços alçar.
Olhos meus, etc.
Vejo de perdido pranto
Tristes ais acompanhar,
Com as lagrimas alhêas
Vou as minhas misturar.
Olhos meus, etc.
Que importa ver Ninfas bellas,
Se accrescentão meu pezar?
Gostão de attrahir os olhos,
E as almas tyrannlzar.
Olhos meus, etc.
Ao som de feridas cordas
Dão doces vozes ao ar,
Quaes enganozas Serêas,
Que cantão para matar.
Olhos meus, etc.
Se o meu pobre coração
Se deixa huma vez tocar,
Com escarneos, com rizadas,
Meu pranto vejo pagar.
Olhos meus, etc.
Fartai-vos, pois, olhos meus
De lagrimas derramar;
Vós nascestes para tristes,
E escolhestes o lugar.
Olhos meus, etc.
A hum Leigo, que era vesgo, e que nunca teve fastio; e a quem por acazo tocou na cabeça a ponta de hum espadim.
Ferio sacrilega espada,
Alçada por mão traidora,
Cabeça, que sempre fôra
Té aos Barbeiros vedada;
D'entre a grenha profanada
Corre o sangue á terra dura;
Tosquiou-se a matadura;
E o casco rebelde a ordens,
Precizou destas desordens
Para ter Prima Tonsura.
Feroz Soldado imprudente,
Que nova espada esgrimio,
Foi o ímpio que ferio
Esta victima innocente;
A quem do golpe insolente
O motivo lhe procura,
Diz que fez compra segura;
Pois duvidozo na escolha,
Quiz ver que tal era a folha,
Cortando por coiza dura.