Diz que esta empreza vos toca,
E que não admitte escuzas;
Que favor feito ao Parnazo
Hão de agradecello as Muzas;

Pulsai a lyra, enfreai
Bravos ventos rugidores;
Cantai agradecimentos
A quem cantastes amores;

Em má honra a longas cans
Desta empreza escuzo fico;
Fechou-me Apollo a sua Arte,
E quer que aprenda a de rico;

Dura, enganoza sciencia!
Incómmoda, tumultuaria!
Muito mais a quem andou
Sempre na escóla contraria;

Já em socegado somno
Não vejo doces ficções;
Inda a obra está na Imprensa
E já sonho com ladrões;

Sonho, que escalada a porta,
Medonhas caras sem dó,
Vem furtar a Tolentino
O que elle furta a Boileau;

Co'esse metal turbulento
Já d'antemão me malquisto;
Que me não fará a posse,
Se a esperança já faz isto?

Sei quem poz a ultima força
Ao punhal, de que me dôo;
Mas, em fim, nada de raivas,
Dizei-lhe que eu lhe perdôo;

E que he tal nesta virtude
Meu conforme coração,
Que não só perdoo o mal,
Mas beijo por elle a Mão.

Offerecendo alguns dos Versos, que vão neste Livro ao lllustrissimo, Excellentissimo Senhor Marquez de Angeja, Ministro de Estado, perante o qual se pertendeo desabonar a Poezia, e os Poetas.