SONETO XIII.

Podião ser felices meus amores

Quando por ouro o amor se não vendia:
Já de palavras Nize desconfia,
Só crê ou em dinheiro, ou em penhores.

Vio-me assaltado d'ancias, e temores

Quando na porta irada mão batia:
Por costume infeliz ella sabia
Que era algum dos cansados acredores.

Forão-se os dias bemaventurados,

Em que só almas grandes, peitos nobres,
Erão do Deus de amor agazalhados:

Negro destino hoje preside aos pobres:

Poz termo a bella Nize aos seus agrados,
Vendo esta bolça condemnada a cobres.

Ao faustissimo dia da Inauguração da Estatua
Equestre d'El-Rey Fidelissimo o
Senhor D. José I.