SONETO XXIV.
Atiça, ó moço, a moribunda chama
Dessa faminta, sordida candêa,
E encostado á parede cabecêa,
Posta de guarda ao pé da minha cama.
Se o sono, que em meus olhos se derrama,
E os languidos sentidos me encadêa,
Tentar com sonhos esta pobre idéa,
Em altos gritos por meu nome chama:
Assenta-me na cara essas mãos frias:
Pois ves o fructo, que sonhando tiro,
Corta em raiz traidores fantasias.
Contra os sonhos desde hoje me conspiro:
Se ao primeiro me dizem heresias,
Em sonhando outros pregão-me hum tiro!
Á moda dos chapeos maiores da marca.