SONETO XXVII.

Debalde sobre a face encarquilhada

Pendendo louros bugres emprestados,
Dás inda ao louco amor teus vãos cuidados,
Em carmins enganosos confiada.

Postiça formosura, em vão comprada,

Não torna atraz os annos apressados:
Nem alvos dentes de marfim talhados,
Tornão em nova a tremula queixada.

De ti no mesmo tempo que do Gama

Cantou mil bens a Deosa Trombeteira,
A que os baixos Poetas chamão Fama:

Porém sempre ficaste em boa esteira;

Porque, se já não prestas para dama,
Inda serves mui bem como terceira.

Aos Annos de huma formosa Dama.