SONETO XXIX.
Nesta cansada triste poesia
Vedes, Senhor, hum novo pertendente,
Que aborrece o que estima toda a gente,
Que he ter no mundo cargos, e valia.
Sobre alto throno ha annos que regia
De docil povo turba obediente:
Mas quer antes sentar-se humildemente
N'hum banco da Real Secretaria;
Qual modesto Capucho reverendo,
Que em fim de Guardiania triennal
Passa a Porteiro as chaves recebendo.
Em mim conheço vocação igual:
E co'a mesma humildade hoje pertendo
Passar de Mestre a ser Official.
A hum Padre Guardião.