Marqueza
Sim. Ruy, eu mesma, aqui. Nem me causa extranheza
o vêl-o nesta casa. Eu fui quem o mandou
em busca deste céo tão puro que o salvou.
Previ toda esta scena e quando aconselhei
que viesse até cá, senti que palpitava
o meu seio de mãe. Já vê que adivinhei
e o meu presentimento o bem me segredava...
Talitha, admirada
Mamã, tu és Marqueza?
Silencio prolongado
Marqueza
A Marqueza morreu...
Agora sou a mãe da mimosa Talitha
que vem pedir perdão a quem assim soffreu
dessa magua sem par, dessa dôr infinita,
que tanto fez chorar a tua mocidade,
as lagrimas febris e negras da saudade.
Agora sou a Mãe que um dia te engeitou
e que uma vida inteira a dôr acabrunhou,
que vem pedir perdão ao velho Padre-Cura
do quanto padeceu para te dar ventura,
que vem agradecer á santa da Joaquina,
os beijos que te deu quando eras tamanina,
que vem pedir a Ruy o supremo favor
de dar á sua filha o seu primeiro amor...
Ruy
Marqueza, o meu amor recebe a grande esmola
do casto coração da candida Talitha,
como um beijo de luz que conforta e consola
a dôr da minha vida. O peito me palpita
na suprema alegria e eu penso na alvorada
desta noite feliz, de lucido natal,
bemdizendo, Senhora, a dôce madrugada
que vae surgir em breve.