Já toca á missa d'Alva...

Ruy, a Talitha

Estrella d'Alva, pura,
immaculada estrella, o céo desta ventura
estende sobre nós a cupula sagrada
e eu vejo nesse olhar a luz ambicionada
que faz de ti, creança, a dôce Conceição
do meu culto feliz, purissimo e christão.

A Joaquina

Um dia, bem me lembro, a sua mão amiga
mais trémula e subtil do que uma branca estriga
ás aragens d'outomno, abrindo-me o sacrario
da sua alma de santa, entregou-me um rosario.Recorda-se? Pois bem! nas horas de afflicção
esse rosario amigo encheu-me o coração
duma frescura immensa e assim se dissipou
essa nuvem cruel que sobre nós passou...
Quero beijar a mão da santa que me deu
nesse rosario astral uma visão do céo:
a flôr que se banhou na sua fé divina,
bondosa creatura, alvissima Joaquina!

Beija-lhe a mão. Joaquina, em silencio, enxuga os olhos com o avental.

Padre

O dia vae surgir, o sino da capella
convida-nos á missa. Ali pela janella
já vem a madrugada entrando alegremente
num baptismo de luz que brota do nascente.

Talitha

Meu Deus, como é feliz a minha mocidade!
Rasgou a mão de Ruy a dôce claridade
ao meu perdido olhar, depois a mãe de Deus
envia-me o perdão do fundo azul dos céos:
e, dando luz á céga e vida á condemnada,
entrega-me, a sorrir, no fim da madrugada
do Natal de Jesus, a minha Mãe distante.
Meu Deus, como é feliz neste sereno instante