Á Carmelita!... e quem lhe disse que os seus olhos
recuperando a luz, como duas estrellas,
irão illuminar as fragas e os escolhos
das montanhas da Syria, entre as monjas Carmellas?
Quer sepultar-se em vida?
Talitha
E não é cemiterio
maior a escuridão deste pavor funereo,
sem vêr o sol que doira as nuvens do poente,
sem vêr a lua assim como um berço dolente
embalando no azul um sonho que não morre,
não vêr duma colmeia o mel que filtra e corre
como um rio de luz nascendo num enxame,
sentir e adivinhar a suprema belleza
da madrugada em flôr, das noites constelladas,
dos mares e do céo, de toda a natureza,
ter olhos e não vêr, inda haverá quem chame
vida a tal vida? Não! Mais negras, mais cerradas
do que esta noite immensa e triste, sem estrellas,
não póde ser, de certo, a solidão das cellas,
e o sol que tudo aquece, aquecerá de leve
a macerada fronte á monja que não teve
nem um seio de mãe que um dia a amamentasse,
nem a luz d'um olhar na pallidez da face,
e nem um coração...
Ruy
Talitha!
Talitha, ingenua
Meu doutor!
Ruy, com intenção
Um coração?